Mario Quintana, Poesie tradotte da Emilio Capaccio

Mário Quintana (Alegrete, 30 luglio 1906 – Porto Alegre, 5 maggio 1994) è stato un poeta, scrittore, giornalista, traduttore; uno tra i più amati artisti brasiliani. Soprannominato “il poeta delle cose semplici” per la capacità di fare della sua poesia una continua confessione autobiografica, traendo ispirazione dalle piccole cose quotidiane, pubblica i suoi primi versi, su una rivista di Porto Alegre, già all’età di tredici anni. Tra le sue raccolte più significative si ricordano: O Aprendiz de Feiticeiro (1950), Espelho Mágico (1951), Caderno H (1973), Apontamentos de História Sobrenatural (1976), A Vaca e o Hipogrifo (1977), Esconderijos do Tempo (1980), Baú de Espantos ((1986), Preparativos de Viagem (1987), A Cor do Invisível (1989), Velório sem Defunto (1990).

Come traduttore si devono a lui le pubblicazioni in lingua portoghese di oltre centotrenta opere, tra le quali: Parole e Sangue di Giovanni Papini, Alla ricerca del Tempo Perduto di Marcel Proust, Mrs. Dalloway di Virginia Woolf, Lord Jim di Joseph Conrad.

Traduzioni di Emilio Capaccio

 

NO SILÊNCIO TERRÍVEL DO COSMOS

No silêncio terrível do Cosmos
Hà de ficar uma última lâmpada acesa
Mas tão baça
Tão pobre
Que eu procurarei, às cegas, por entre os papéis revoltos,
Pelo fundo dos armários,
Pelo assoalho, onde estarão fugindo imundas ratazanas,
O pequeno crucifixo de prata
— O pequenino, o milagroso crucifixo de prata que tu me deste um dia
Preso a uma fita preta.
E por ele os meus lábios convulsos chorarão
Viciosos do divino contato da prata fria …
Da prata clara, silenciosa, divinamente fria — morta!
E então a derradeira luz se apagarà de todo …

(O Aprendiz de Feiticeiro, 1950)

NEL SILENZIO TERRIBILE DEL COSMO

Nel silenzio terribile del Cosmo
Deve restare un’ultima lampada accesa.
Ma così tenue,
Così povera
Che cercherò, alla cieca, fra le carte sparse,
Sul fondo degli armadi,
Per la soffitta, dove staranno fuggendo immonde pantegane,
Il piccolo crocifisso d’argento
— Il piccolissimo, il miracoloso crocifisso d’argento
Che mi hai dato un giorno
Attaccato a un nastrino nero.
E per lui le mie labbra convulse piangeranno
Viziate dal divino contatto dell’argento freddo …
Dell’argento chiaro, silenzioso, divinamente freddo — morto!
E allora l’ultima luce si spegnerà del tutto …

 

OLHO AS MINHAS MÃOS

Olho as minhas mãos: elas só não são estranhas
Porque são minhas. Mas é tão esquisito distendê-las
Assim, lentamente, como essas anêmonas do fundo do mar …
Fechá-las, de repente,
Os dedos como pétalas carnívoras!
Só apanho, porém, com elas, esse alimento impalpável do tempo,
Que me sustenta, e mata, e que vai secretando o pensamento
Como tecem as teias as aranhas.
A que mundo
Pertenço?
No mundo há pedras, baobás, panteras,
Águas cantarolantes, o vento ventando
E no alto as nuvens improvisando sem cessar,
Mas nada, disso tudo, diz: “existo”.
Porque apenas existem …
Enquanto isto,
O tempo engendra a morte, e a morte gera os deuses
E, cheios de esperança e medo,
Oficiamos rituais, inventamos
Palavras mágicas,
Fazemos
Poemas, pobres poemas
Que o vento
Mistura, confunde e dispersa no ar …
Nem na estrela do céu nem na estrela-do-mar
Foi este o fim da Criação!
Mas, então,
Quem urde eternamente a trama de tão velhos sonhos?
Quem faz em mim — esta interrogação?

(Apontamentos de História Sobrenatural, 1976)

GUARDO LE MIE MANI

Guardo le mie mani: sole non sono estranee
Perché sono le mie. Ma è talmente squisito distenderle
Così, lentamente come quegli anemoni del fondo del mare …
Chiuderle, all’improvviso,
Le dita come petali carnivori!
Con esse, tuttavia, prendo solo questo alimento impalpabile del tempo,
Che mi sostiene, e mi uccide, e va secretando il pensiero
Come i ragni tessono le tele.
A che mondo
Appartengo?
Nel mondo ci sono pietre, baobab, pantere,
Acque canticchianti, il vento che soffia
E in alto le nubi che improvvisano incessantemente,
Ma niente, di questo tutto, dice: “esisto”.
Perché a malapena esistono …
Intanto,
Il tempo genera la morte, e la morte genera gli dei
E, pieni di speranza e di spavento,
Officiamo rituali, inventiamo
Parole magiche,
Scriviamo
Poesie, povere poesie
Che il vento,
Miscela, confonde e disperde nell’aria …
Né la stella del cielo né la stella marina
Sono state il fine della Creazione!
Ma, allora,
Chi tesse eternamente la trama di questi vecchi sogni?
Chi fa in me — questa domanda?

 

OBSESSÃO DO MAR OCEANO

Vou andando feliz pelas ruas sem nome …
Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano …
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas …e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral …
Búzios calçando portas …caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos …
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su’alma perdida e vaga na neblina …
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de música
Uma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos …
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas …
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.

(O Aprendiz de Feiticeiro, 1950)

OSSESSIONE DELL’OCEANO

Cammino felice per le strade senza nome …
Che buon vento sopra l’Oceano!
Non so neppure come si chiami il mio amore,
Né so quanto è lungo l’Oceano …
Ma ci sono vasi coperti di conchiglie
Sui tavoli …e fanciulle alle finestre
Con orecchini e braccialetti di corallo …
Patelle che ricoprono porte …caravelle
Sognanti, immobili su vecchi piani …
In questo,
Nel vetrino del bicchiere il tuo sorriso, Antinoo,
E mi sono ricordato del povero imperatore Adriano,
Della sua anima vaga e perduta nella nebbiolina …
Ma come soffia il vento sull’Oceano!
Se morissi domani, lascerei solo, solamente
Una cassa di musica,
Una bussola,
Una mappa figurata,
Qualche poesia piena di quell’unica bellezza
Di essere inconclusa …
Ma come soffia il vento per queste vie d’autunno!
E non so, non so nemmeno come ti chiami …
Ma ci incontreremo sull’Oceano,
Quando anch’io non avrò più un nome.

 

O VENTO E EU

O vento morria de tédio
porque apenas gostava de cantar
mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
cada vez mais vazia …
Tentei então compor-lhe uma canção
tão comprida como a minha vida
e com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos
e fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo …
Mas o vento, por isso,
me julga agora como ele…
E me dedica um amor solidário, profundo!

(Velório sem Defunto, 1990)

IL VENTO E IO

Il vento moriva di tedio
perché gli piaceva cantare
ma non aveva nessuna parola per la sua voce,
ogni volta più vuota …
Tentai allora di comporgli una canzone
così striminzita come la mia vita
e con avventure sorprendenti che inventavo al momento
come quella che da bambino mi rubarono gli zingari
e finii a vagare senza patria, senza famiglia, senza niente in questo vasto mondo …
Ma il vento, per questo,
ora, mi considera come lui …
E mi dedica un amore solidale, profondo!

 

NOTURNO I

Para Ruy Cirne Lima

Essa voz que se escuta de noite
— nota (ou sílaba?) que se prolonga indefinidamente,
que quer dizer? que nos quer dizer?
Talvez a nossa vida seja demasiadamente breve para apreender-lhe
o sentido,
talvez nem cante para nós
mas
para
um eterno ouvido …Serão Anjos? Tristes Anjos,
que desconhecem
o maravilhoso espanto de viver por um só instante!

(Apontamentos de História Sobrenatural, 1976)

NOTTURNO I

A Ruy Cirne Lima

Questa voce che si ascolta di notte
— nota (o sillaba?) che si prolunga infinitamente,
che cosa vuol dire? che cosa ci vuol dire?
Forse la nostra vita è troppo breve per apprenderne
il senso,
forse non canta per noi
ma
per
un eterno udito …Saranno Angeli? Tristi Angeli,
che disconoscono
il meraviglioso spavento di vivere per un solo istante!

 

AO LONGO DAS JANELAS MORTAS

Ao longo das janelas mortas
Meu passo bate as calçadas.
Que estranho bate! …Será
Que a minha perna é de pau?
Ah, que esta vida é automática!
Estou exausto da gravitação dos astros!
Vou dar um tiro neste poema horrível!
Vou apitar chamando os guardas, os anjos, Nosso Senior, as prostitutas, os mortos!
Venham ver a minha degradação,
A minha sede insaciável de não sei o quê,
As minhas rugas,
Tombai, estrelas de conta,
Lua falsa de papelão,
Manto bordado do céu!
Tombai, cobri com a santa inutilidade vossa
Esta carcaça miserável de sonho …

(O Aprendiz de Feiticeiro, 1950)

ACCANTO ALLE FINESTRE MORTE

Accanto alle finestre morte
Il mio passo batte i marciapiedi.
Che strani tocchi!
La mia gamba è forse di legno?
Ah, questa vita automatica!
Sono stanco della gravitazione degli astri!
Voglio sparare un colpo a quest’orribile poesia!
Voglio fischiare chiamando i guardiani, gli angeli, Nostro Signore, le prostitute, i morti!
Venite a vedere la mia degradazione,
La mia sete insaziabile di non so cosa,
Le mie rughe.
Cadete, stelle farlocche,
Luna finta di cartone,
Mantello ricamato di cielo!
Cadete, coprite con la santa inutilità vostra
Questa carcassa miserabile di sonno…

 

POEMA DA GARE DE ASTAPOVO

O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua…
Sentou-se …e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Gloria,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E entao a Morte,
Ao vê-lo tao sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta …)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu…
Ele fugiu de casa…
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade…
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!

(Apontamentos de História Sobrenatural, 1976)

POESIA DELLA STAZIONE DI ASTAPOVO

Il vecchio Lev Tolstoj fuggì di casa a ottanta anni
E morì nella stazione di Astapovo!
Certamente si sedette su una vecchia panchina,
Una di quelle vecchie panchine lucide per l’uso
Che esistono in tutte le stazioncine povere del mondo
Contro una parete nuda …
Si sedette …e sorrise amaramente
Pensando che
In tutta la sua vita
Di suo restava appena la Gloria
Questo ridicolo sonaglio pieno di campanellini e nastrini
Colorati
Nelle mani sclerosate di un rincitrullito!
E allora la Morte,
Vedendolo solo a quell’ora
Nella stazione deserta
Pensò che fosse lì ad aspettarla
Quando solo si era seduto per riposare un poco!
La morte arrivò nella sua vecchia locomotiva
(La morte arriva sempre puntuale a ora incerta …)
Ma forse non pensò a niente di tutto questo, il grande Vecchio
E chissà se non morì anche felice: fuggì …
Fuggì di casa …
Fuggì di casa a ottanta anni …
Non sono molti quelli che realizzano i vecchi sogni d’infanzia!

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